sexta-feira, 12 de março de 2010

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ESPECIAL UNIVERSAL NOS EUA PARTE 2:VEJA A LUZ



Não mais sob o feitiço da igreja:
Gustavo & Ivette Villaseñor
Foto de Slobodan Dimitrov

Durante grande parte de sua vida, Ivette Villaseñor procurou um deus. Em vão, ela procurou por um na tradicional Igreja Católica de seus pais, em congregações Pentecostais, e entre curanderos1.
Ela pensou ter finalmente encontrado um deus há sete anos, quando ela entrou no Teatro dos Milhões2, no centro de Los Angeles3. Ela ficou empolgada pelas canções e orações, e com pastores que tão dramaticamente exorcizaram demônios. Mas, depois de cinco anos, ela ficou sem dinheiro e com o risco de perder sua casa, seu casamento e sua saúde mental. "A Igreja Universal me causou tanto sofrimento que até hoje não consegui me livrar da dor", diz ela. "Eles não só deixaram minha família e eu falidos, como usaram a coisa que eu mais amo - Deus - para tirarem vantagem de minha fé".
A época mais difícil de sua vida começou no outono de 1994. Mãe solteira, 24 anos, vivendo em Fullerton4, ela conheceu a Igreja durante uma de suas excursões aos shoppings da tumultuada Broadway5. O auditório, com capacidade para mais de 2000 pessoas, estava lotado de imigrantes de língua espanhola, como ela. Conduzidas por um pianista, as alegres canções eram diferentes de qualquer coisa que ela já tivesse ouvido numa igreja. Como que infundidos de poder sobrenatural, os pastores pareciam curar os devotos pelo que eles chamavam de "cura pelas mãos"6: o pastor agarrava vigorosamente a pessoa pela cabeça e rezava, em voz alta, para que ela melhorasse.
Em 1995, um templo da Igreja Universal foi aberto no Yost Theater, um cinema da década de 1920, próximo à Santa Ana7, e ela começou a ir lá. O Pastor Sergio aceitou seu pedido para ser obrera8, uma operária da igreja. Ela logo se apaixonou por Gustavo Villaseñor, 30 anos, supervisor de uma companhia aérea de uma pequena cidade do estado Mexicano de Jalisco.


Foto de Slobodan Dimitrov
Um ano depois de casados, Gustavo cortou seu cabelo castanho-claro e cacheado, e vestiu camisa branca e calça azul-marinha para também se tornar um obrero. Gustavo mergulhou nos seus novos deveres. Sua obediência aos pastores - mostrada diariamente no templo depois do trabalho, doando milhares [de dólares] de cada vez - impressionou até mesmo a esposa.
Nos finais de semana, os Villaseñors iam aos lugares mais pobres de Santa Ana, junto com muitos colegas obreros, batendo na porta de apartamentos para levar a palavra aos Mexicanos e outros imigrantes da América Central. Algumas vezes, os obreros eram obrigados a trazer pelo menos 100 pessoas ao templo numa manhã de sábado.
Durante reuniões nos bastidores, antes dos cultos, os Villaseñors eram ensinados a procurar por pessoas que não pertenciam à igreja, ou que se mantinham afastadas da multidão. Diziam para procurar, principalmente, por jornalistas, investigadores ou qualquer um que carregasse gravadores ou câmeras, que eram proibidos. Como membros regulares, os Villaseñors contribuíam com US$30 em cada culto. Agora, o montante a ser doado chegava a milhares de dólares porque obreros, diziam os pastores, têm que dar o exemplo.
Ivette ficou grávida de seu segundo filho e decidiu deixar o emprego de secretária em um escritório de advocacia, para ser mãe em tempo integral. Restando o ganho anual de Gustavo, de US$35.000, o orçamento dos Villaseñors ficou apertado quando dízimos, doações, campañas9 (veja a estória completa) e outras contribuições chegaram à média de US$1.600 mensais.
Gustavo Villaseñor raramente ficava em casa, passando grande parte de seu tempo no templo. Com o passar do tempo, Ivette começou a perguntar aos pastores por que a igreja não tinha um programa para alimentar pessoas desabrigadas ou realizar outros programas de caridade, o que estaria de acordo com a Bíblia. Os pastores colocaram a culpa de todas as suas dúvidas nos demônios. Seguravam sua cabeça e exorcizavam-na, algumas vezes por até uma hora, até que ela revelasse uma manifestação demoníaca. Pastores recentemente nomeados pela congregação, algumas vezes a cada seis meses, logo ficavam sabendo da rebeldia de Ivette. Ela era trabalhadeira, por isso era tolerada - até, como ela disse, o Pastor Adilson Fonseca chegar. Ele chegou em 1997 e ficaria por pelo menos mais três anos. (Agora bispo em Boston, Fonseca recusou um pedido de entrevista e perguntas referentes à hierarquia de Los Angeles).
Fonseca, de acordo com os primeiros membros da igreja, é um homem duro que freqüentemente, do púlpito, ralhava as pessoas que não davam um dízimo generoso. "Ele sempre nos dizia que a razão pela qual estávamos naquela condição era a de que não nos sacrificávamos suficientemente por Deus", diz Gustavo.
Com grande parte de seu dinheiro indo para os cofres da igreja, os Villaseñors se endividaram, ficando sem dinheiro para comida e com as contas sem pagar. Ivette se tornou um incômodo para Fonseca, pois continuava a questionar as práticas e doutrinas da igreja. O que mais o deixava enfurecido, diz ela, era a insistência em tentar convencer o marido a passar mais tempo em casa com a família do que no templo. "Era uma guerra em que eu tentava manter meu marido para mim e o Adilson tentava atraí-lo mais para a igreja", diz ela.
Várias vezes Fonseca disse à Gustavo - em particular e do altar - que sua esposa estava possuída por demônios. Certa vez, ele relembra, teve que fazer uma doação de US$1.000 para uma campaña. Não havia comida na geladeira, então sua esposa pegou US$40 de sua bolsa para comprar mantimentos. "Levei ao Adilson só US$960. Disse a ele que não pude levar os US$1.000 porque minha esposa tinha roubado US$40 para comprar comida", diz Gustavo. O casamento estava quase no fim.
Uma noite, Gustavo acordou com terríveis dores abdominais e foi submetido a uma cirurgia de emergência. Por uma semana, enquanto se recuperava no hospital, ele pensou sobre sua vida. "Refleti 'Estou numa situação muito pior agora que jamais estive. Não parei nenhum momento para abraçar meus filhos e minha esposa. Não temos mais dinheiro, e estou com mais dívidas do que jamais pensei que poderia ficar.'"
Quando Gustavo deixou o hospital, ele foi ao escritório de Fonseca e entregou-lhe sua camisa branca e sua calça azul-marinho. Ele não queria mais ser um obrero. "Disse a ele que queria permanecer na igreja como um membro qualquer".
Fonseca continuou a tratar amigavelmente Gustavo, mas não a Ivette. O último confronto ocorreu durante uma sessão de aconselhamento matrimonial; Fonseca disse a Gustavo, na frente de sua esposa, que seria melhor que ele divorciasse dela. "Ela está possuída. Ela é incorrigível", marido e mulher relembram as palavras de Fonseca. "Deixe-a e encontre uma nova esposa nesta igreja. Talvez você possa achar uma esposa brasileira".
Mesmo raramente conversando, Gustavo ainda amava sua esposa, diz ele. A verdade veio à tona: a igreja era o problema, não sua esposa. Durante cinco anos, pensou, eles doaram cerca de US$70.000 à igreja, além de terem acumulado quase US$70.000 em dívidas.
Os Villaseñors reconciliaram e decidiram que deviam deixar a igreja. A saída deles deixou uma marca profunda em Fonseca. Por meses, disseram alguns membros da igreja, Fonseca falou sobre a atitude do casal no púlpito.
No Domingo seguinte ao da saída da Igreja Universal, o casal aceitou um convite para ir à Embaixada Cristã11, um templo Pentecostal no município de Orange, onde conheceram o Pastor Frances Huezo, líder do ministério de língua espanhola. Psicólogo, Huezo ficou chocado com as alegações do casal. "Não pude acreditar que pessoas que pregam a salvação poderiam fazer tais coisas", diz Huezo. "Pior, eles se proclamam uma igreja Pentecostal. Isso difama o nosso nome".
Faz quase três anos que os Villaseñors se livraram das amarras da Igreja Universal. Eles foram se aconselhar há mais ou menos seis meses. Gustavo, agora, ganha US$50,000 por ano como gerente de uma companhia de peças de aeronave; eles estão conseguindo pagar as dívidas aos poucos, e não estão mais correndo o risco de perderem a casa. O casal se consola ajudando outros que também foram vítimas da Igreja Universal.
"Nós não estamos fazendo isso por nós, mas pelos outros", diz Ivette Villaseñor. "Eu quero que todos saibam que agora, depois de deixar a Igreja Universal, finalmente parei de sofrer".

 Joseph Treviño


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