quinta-feira, 11 de março de 2010

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Marketing religioso alavanca um perigoso crescimento dos evangélicos, agora buscando o poder político


Esta matéria é decorrência de uma outra intitulada "Marketing Religioso nas Religiões Evangélicas… Como Funciona?", que publiquei simultaneamente no Jornal Mundial de Resumos ShvOOng, no meu site literário Temas Instigantes e nos meus dois blogs ("Debata, Desvende e Divulgue!" e "Formou? Disseca e Publica!"), tendo gerado mais de cinco mil visitas, vários comentários, emails e, é claro, protestos e xingamentos (muitos). Somente no jornal do ShvOOng foram 4050 visitas; 558 em Temas Instigantes e, as restantes, distribuídas entre os blogs.Evangelicos.jpg
O retorno ao assunto, desta feita, considerando outros aspectos, deve-se a dois fatos: primeiro, a confirmação das sombrias previsões que já se desenhavam no artigo original e em mais dois outros sobre evangelismo; segundo, responder às críticas daqueles que me acusaram de estar sendo tendencioso e injusto ao informar que apenas os evangélicos praticavam o marketing religioso, quando é sabido que os católicos e as outras religiões também adotam essa prática. Então, vamos às explicações:
O "marketing religioso" é praticado apenas pelos evangélicos?
Evidentemente que não; e nem eu declarei isso em nenhum momento. Mas acho que todos irão concordar que são os evangélicos os que mais o praticam, com maior agressividade, volume de investimentos e eficiência. E não há porque sentirem-se ofendidos com esta revelação, já que é uma verdade incontestável e isto nada tem de irregular ou criminoso. Afinal, não existem leis que proíbam o marketing religioso e nem as campanhas de proselitismo. Mas quando isso é feito utilizando-se de mentiras, má fé e propaganda enganosa, com o objetivo de extorquir dinheiro dos incautos, aí a coisa muda de figura. E é exatamente este o ponto que critico.
O que difere o marketing religioso evangélico dos de outras religiões?
Principalmente, os meios utilizados e o alcance: os evangélicos possuem jornais, revistas, editoras, livrarias, sites na internet, rádios próprias (vide a Rede Aleluia, da IURD), gravadoras, canais de de televisão (vide Rede Record, também da IURD), cantores gospel, cantores de rock, pagode e forró evangélico, templos em quase todas as cidades brasileiras (com várias unidades espalhadas entre os bairros), políticos infiltrados em todas as esferas do poder, chegando a ser a bancada evangélica, no Congresso, a maior da última legislatura, com 70 representantes. Os que não possuem seus próprio canais de TV ou rádios, alugam extensos horários nas principais emissoras, até em horários nobres, pagando caríssimo (têm caixa suficiente), mas sempre invocando a "colaboraçao" dos fiéis. Afora isso, contam com um exército de pastores e crentes fanáticos ajudando a fazer o proselitismo.
Um outro diferencial entre o marketing evangélico e o das outras religiões é que ele não se destina apenas a arrebanhar fiéis em campanhas de proselitismo, mas também a vender uma enorme variedade de produtos para esses "clientes cativos", como se estivessem num plano de fidelidade: são discos, livros, CDs, DVDs, bíblias, amuletos, roteiros de viagens, preces especiais, etc. É quase como se fosse (se é que não é) uma verdadeira "franquia religiosa". Nenhuma outra religião, nem mesmo a católica, pode igualar-se em retorno financeiro, eficiência, poder de convencimento, penetração e visibilidade. Embora os católicos, historicamente e até hoje ainda sejam a maioria no Brasil, em números absolutos, seu crescimento vem diminuindo drasticamente, enquanto o dos evangélicos não só aumenta como, proporcionalmente, supera em muito o dos católicos e os das demais religiões. Como se diz na linguagem do povão: "Não tem pra ninguém". E de fato, nesta técnica eles são mestres e imbatíveis; pelo menos por enquanto. Segundo previsões de alguns especialistas, se continuarem a crescer neste ritmo, em menos de 10 anos eles terão superado os católicos e serão maioria no Brasil. E é aí que mora o perigo.
Por que temer e julgar perigoso o crescimento evangélico? Em que isso nos atinge?
Lá vou eu ser LulaEEdirMacedo-Leg.jpgxingado de novo!… Mas não importa, tenho de falar. Vejam a foto aí do lado, os nomes que vou citar e, depois, os comentários. Guardem bem esses nomes: Edir Macedo(IURD), Silas Malafaia (Assembléias de Deus), Romildo R. SoaresValdomiro SantiagoEstevam e Sônia Hernandes (Igreja Apóstólica Renascer em Cristo), Missionário David Miranda (Igreja Pentecostal "Deus é Amor", esta, com o maior templo evangélico do mundo, com capacidade para 60.000 pessoas, em São Paulo) para citar só alguns, dentre os mais poderosos. (Igreja Internacional da Graça de Deus), (Igreja Mundial do Poder de Deus),
Pois bem, segundo Edir Macedo e Silas Malafaia os evangélicos no Brasil, hoje, já seriam mais de 40 milhões (e não é de duvidar, a julgar pelo último censo do IBGE que, em 2000, já acusava a existência de 26,5 milhões). Não sou teólogo, nem futurólogo, nem matemático e nem estatístico. Mas não é preciso ser nada disso para prever que essa estimativa nada tem de absurda, estando muito próxima da verdade. Basta fazer uma conta simples, que me dei ao trabalho de fazer: se em 60 anos (período 1940-2000) os evangélicos cresceram 6 vezes ou 600% (de 2,6% para 15,41%), em 9,5 anos eles cresceriam 95%. Se aplicarmos este percentual aos números do censo de 2000, teríamos: 95% de 26,5 milhões, que daria 25,17 milhões, os quais, somados aos 26,5, dariam, hoje 51,67 milhões, isto, numa conta bem simplória. Portanto, não é exagero afirmar que eles possam ser mais de 40 milhões. Com a taxa percentual de crescimento progressivo estimada, ainda que descontados possíveis erros de não regularidade e/ou avaliação, é bem provável mesmo que eles já estejam beirando ou até ultrapassado os 40 milhões de fiéis.
Agora imaginem essa enorme massa sendo manobrada pelo líderes religiosos mencionados, com o objetivo de eleger um Presidente da República evangélico e mais algumas dezenas de deputados e senadores, fazendo também governadores em 1/3 das unidades federadas, mais prefeitos, deputados estaduais e vereadores… O que teríamos? Um país governado por evangélicos. Vocês já se imaginaram sendo governados por uma "tchurma" dessas? São todos especialistas em enganar, mentir e extorquir, sob a capa da legalidade. Alguns desses líderes maiores já foram presos e  processados, quase sempre saindo ilesos, ou, quando não, pagando indenizações ridículas, que sequer chegam a abalar um dia do seu Caixa.  Se em suas igrejas eles fazem isso, o que fariam com as finanças públicas do país? Sarney, Collor e Renan Calheiros perto deles seriam fichinhas.Livro_PlanoDePoder.jpg
Acham que estou "viajando"? Bem, se vocês acham a hipótese absurda, saibam que o Edir Macedo e o Silas Malafaia já fizeram pregações nesse sentido e começam a fazer a lavagem cerebral da cabeça dos fiéis, tudo com citações bíblicas (Deus quer o seu povo no poder). Até um livro chamado "Plano de Poder: Deus, os Cristãos e a Política" já foi lançado recentemente pelo Edir Macedo em parceria com Carlos Oliveira, diretor-presidente do jornal "Hoje em Dia", de Minas Gerais, onde o foco é exatamente este: os evangélicos no poder. E não duvidem, ainda mais se os evangélicos se unirem. Votos eles têm; dinheiro também; apoio, terão todos os que quiserem e puderem comprar. Para quem não acredita, basta olhar a capa do livro e a sinopse, leitura que recomendo fortemente.
Notem que a IURD e as pentecostais e neopentecostais têm ainda tanta força, pregando aquela desgastada "teologia da prosperidade",  que nem mesmo as bombásticas e graves denúncias de extorsão e charlatanismo dos ex-pastores Caio Fábio e Mario Justino (este, em seu livro "Nos Bastidores do Reino") foram capazes de abalar suas estruturas ou provocar a debandada de fiéis. Muito pelo contrário: eles continuam aumentando e acreditando que as curas e a tal "prosperidade " vão chegar, como recompensa das suas contribuições e devoções. A única mudança significativa no panorama talvez seja a entrada no mercado - porque é mesmo "um mercado" - da concorrente "Igreja Mundial do Poder de Deus", do pastor Valdomiro Santiago (mais um dissidente da IURD) e que vem lhe fazendo forte concorrência, roubando uma parcela significativa de fiéis, não só da Universal, mas também da Internacional da Graça de Deus ( os nomes dos concorrentes da dissidência são todos parecidos, assim como as técnicas empregadas: Universal… de Deus, Internacional... de Deus, Mundial... de Deus). Para mim, toda essa picaretagem é crime ou, pelo menos, deveria ser. Mas se a lei não pune…
Por último, essa magistral declaração de Edir Macedo e com quem, mesmo condenando e criticando seus métodos, temos de concordar, por ser a absoluta expressão da verdade:
"A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal".
Edir é inteligente e já capitalizou essa força, sabendo o temor e respeito que impõe. Teria sido por isso, que o presidente Lula firmou um acordo (segunda foto, acima) anticonstitucional com a IURD, concedendo-lhe mais benesses, além das já previstas na CF? Algum político com um mínimo de sensatez se atreveria a ir contra os evangélicos? Previ isto em três das minhas matérias no blog "Debata, Desvende e Divulgue!". Pena que não tenha a mesma facilidade para prever os números que serão sorteados nas loterias…
Estão aí, a partir dos fatos e da declaração em grifo, lançadas inequivocamente as perigosas bases para uma militância evangélica político-partidária, que será muito maior até do que as do PT, porque composta de fanáticos religiosos robotizados, que acreditarão estar fazendo isso por "ordem de Deus", segredada aos pastores, bispos, apóstolos e missionários. Já chega ter de suportar Sarney, Collor, Renan Calheiros, Michel Temer e mais aquele bando de corruptos do Congresso (não estou falando de Pedro Simon, Cristovam Buarque, Suplicy e outras raras, mas honrosas exceções). Mas ter de submeter-se a outro bando que fará pior, dizendo estar roubando em nome de Deus e que até por isso terá a aprovação popular, como se fossem clones de um Robin Hood ungido?!… É ou não é de dar medo?

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