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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

MOMENTO 4: Edir Macedo. Os 15 momentos polêmicos na vida do milionário que fundou a IURD

Os 11 dias na prisão

Edir Macedo foi detido no dia 24 de maio de 1992, num domingo, pelas 13h30, depois de um culto na Igreja de Santo Amaro, em São Paulo. Estava no carro, a caminho de casa, com a mulher e a filha Viviane.
“A imagem permanece estática na minha mente: dezenas de viaturas da polícia corriam na nossa direção. (…) Eles acenavam com violência. Alguns colocavam a cabeça para fora da janela do carro e gritavam comigo. O carro é cercado. Metralhadoras, revólveres e um tremendo aparato de armas pesadas apontadas a mim e à minha família”, relatou Edir Macedo na sua autobiografia.
Em causa estava uma acusação movida pelo Ministério Público de São Paulo, que alegava que o património pessoal do fundador da IURD já era de perto de 100 milhões de reais e que esse dinheiro tinha sido obtido de forma ilícita através da igreja. O Ministério Público acusava Edir Macedo de curandeirismo, charlatanismo e estelionato, crimes contra a boa-fé dos fiéis e que poderiam resultar em vários anos de prisão, de acordo com a lei brasileira.
O momento em que Edir Macedo é preso (Fotografia: IURD)
A justiça brasileira deu seguimento àquela acusação e ordenou a detenção de Macedo na prisão de Vila Leopoldina durante 11 dias, numa cela com mais de 20 pessoas. A prisão foi ordenada depois de cinco membros da Universal terem referido às autoridades brasileiras “ter perdido tudo o que tinham em prol da Igreja Universal do Reino de Deus à espera de um milagre, que nunca aconteceu”, segundo a edição de 25 de maio de 1995 da Folha de S.Paulo.
Campos Machado, na altura deputado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e um dos advogados de Macedo, afirmou que o bispo tinha sido detido devido a uma “perseguição política, religiosa e empresarial”.
Edir Macedo relatou a sua experiência na prisão na sua autobiografia. “Não havia lugar para dormir, as camas já estavam ocupadas e o chão, tomado de colchões. A cela era para presos com ensino superior. O chefe dos presos aproximou-se e também me explicou as regras do dia-a-dia. Só existia uma latrina para todos. (…) Horas mais tarde, recebi um pequeno colchão e, com a ajuda dos outros presos, arranjei um canto para me acomodar.”
Edir Macedo na prisão (Fotografia: IURD)
À medida que os dias iam passando, de acordo com Edir Macedo, “cada vez mais pessoas, personalidades ou pessoas comum, mesmo as que me criticavam, passaram a demonstrar apoio”. Mas a verdade é que os pedidos de habeas corpus continuavam a ser rejeitados.
Ao fim de sete dias, gravou uma mensagem para a rádio a pedido das autoridades brasileiras, para acalmar os fiéis da IURD depois de rumores de que estavam a planear invadir a prisão. Ao fim de uma semana detido, foi presente a tribunal para prestar declarações, mas foi libertado apenas a 4 de junho.
O dono da IURD foi absolvido pela 21.ª Vara Criminal de São Paulo, de acordo com uma notícia publicada em 1995 pela Folha de São Paulo. Descontente, o Ministério Público decidiu recorrer da sentença para uma instância superior, tornando a pedir prisão para Macedo três anos depois — mas Edir Macedo tornaria a ser absolvido.
Edir Macedo escreve que a Igreja Católica esteve por trás da sua detenção.” O clero mandava e desmandava no Brasil, mais do que nos dias de hoje. (…) A Cúria não admitia o surgimento de um povo livre da escravidão religiosa por eles imposta”, conta na sua autobiografia. De acordo com Edir Macedo, na sala de audiências, quando foi presente a tribunal, estava “um homem de batina, provavelmente um padre ou outro integrante da ordem eclesiástica do Vaticano” a tirar notas. “Esta cena, até hoje, ainda não foi devidamente explicada.”
Conteúdo site OBSERVADOR